Então me diga, quem pertence a você? E você, pertence a quem? Sinceramente, justificas posse com suposto amor, achas que porque uma mente roda ao teu redor ela é tua? Não, não é. Seres humanos são seres complexos, que para além da matéria biológica são feitos de histórias, boas e ruins, sorrisos, lágrimas e conversas sem sentido algum.
Há quem tente segurar, manter-ser firme, mas está cercado, obcecado pelo mundo maldito que o formou. Ser possessivo, ver aquele o qual tu dedicas o teu sentimento como alvo da sua posse, pobre sofredor coração formado por um "Dysneiano" mundo... Todo sentimento humano é uma experiência única e individual que corre o risco gostoso de encontrar reciprocidade no outro. Caso contrário, não justifica posse, não justifica montar castelos de baralhos que vão cair na sua primeira desilusão, você não pode adivinhar a vontade do outro, só pode torcer pra ser a mesma que a sua e se não for, saiba deixar toda vontade ir, outras virão (Sempre vem).
A liberdade de ver alguém que se ama, feliz, radiante, dando pulos, é incrível, saber reconhecer que as suas necessidades não são as do outro, passar um bom tempo se dedicando a si mesmo, dedicando cuidado a quebra de tudo que foi posto na sua mente desde sempre e então renascer, novo de novo. Doar-se sem esperar a volta, apenas gratidão, estar no lugar da alegria daquele ou daqueles, sim, por que não? Daqueles que de fato o teu sentimento parte, e entender a alegria de saber que o pronome possessivo não lhes cabem.
Existe o dia em que toda a reciprocidade acontece e é lindo, livres voadores que pousam juntos, e repousam, e se complementam, e se entendem, e desentendem como ninguém, como quem está sempre a falar: não sou seu, não és meu, somos de nós o que de nós somos, apenas nós que se encontram em mente e coração, não mais sozinhos, sem pertencer pertencendo. Sempre nós dois a sós. E quem pertence a alguém de nós? Somente a verdade das paredes e dos lençóis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário