Era como tentar viver uma vida a qual jamais ele pertenceu, se sentia preso a inúmeras coisas que em nada combinavam com o que pensava e muitas vezes as palavras e as ações se distanciavam em demasia. Mas era sonhador, acreditava num mundo melhor um dia, na medida do possível fazia o que estava ao seu alcance pela tentativa de ver todos os seus pensamentos postos em prática.
Era prático, em muitas vezes metódico até, tentava simplificar tudo, só não era assim nos seus amores. Ah, os seus amores, complicado demais, coisa pra Freud nenhum botar defeito. Constantemente metia os pés pelas mãos, se apaixonava e desapegava com a velocidade de um relâmpago, sofria com a lerdeza de um caracol. Era especialista em resolver a vida de todo mundo, mas não se resolvia nunca, passava horas e horas a tentar organizar o equilíbrio de que tanto precisava.
E o que era pior, tinha o péssimo hábito de tentar repetir velhos amores, coisas que já passaram, já mudaram completamente. Não cabiam mais, mas ele insistia. Era tudo muito simples para ele entender, apesar de simplificar tudo, achava lindo ter que lidar com coisas complexas, vai entender cabeça de gente sonhadora.
Tem mania de repetir horrores, reviver amores, ama se iludir com a volta do passado, pensa que tudo é como a sobra de um bom prato que ao seu bel prazer pode ser requentado, coitado, já deveria entender que é quase que a sua condição viver com a cabeça no lugar e o coração despedaçado.
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