E mais uma vez ele se viu perdido, olhando pro nada
com aquela imagem na sua mente, aqueles olhos verdes estavam a guia-lo no
escuro, apareceram tão de repente. Foi de um jeito que ele nunca poderia
esperar. Durante muito tempo colocou-se a assistir a menina dos olhos verdes na
esperança que ela um dia o olhasse de volta também, durante muito tempo foi um
entusiasta do ato dela, muitas vezes se fazendo de plateia de homem só e mesmo
assim, ele se mantinha distante.
Cercava-se de motivos para não se aproximar enquanto
na verdade só tinha motivos para chegar mais perto, apesar de tudo ele ainda
torcia para aqueles olhos verdes o encararem de volta um dia, passou muita
coisa, mudanças ocorreram e um dia ele decidiu parar de só torcer para ser
visto, saiu dos fundos e foi até aqueles olhos verdes, ainda distantes, porém
agora tão próximos.
Então pronto, era como gasolina e fogo, a menina dos
olhos verdes era de fato real, mas, de certa fora era como se fosse ele outra
vez, estranho, tanta coisa igual e tanto tempo entre as primeiras palavras e
todas as outras de agora. Agora que cada encontro parece um desencontro, uma
brincadeira maldosa do universo que ama testar a tudo e a todos.
De repente aqueles olhos e tudo mais tem uma voz e
tanto faz se é fina ou grossa a
tua voz, menina dos olhos verdes, o que importa mesmo é pensar de quem ela sai.
E se dos encontros vem desencontros que dos desencontros venham encontros que
esses olhos verdes mostrem para ele muito mais.
Prisão não terá mais,
ele a puxou pela mão, vai te mostrar que existe muito, muito mais, espera fazer
esses olhos brilharem, esse sorriso se abrir, vem com todas as tuas explicações
que ele fica besta e se põe a ouvir, como quem ouve uma sinfonia natural. Apropria-se
da boa vontade dele que só tem vontade de te ver bem, ele já estendeu a mão,
agora fecha estes olhos verdes, confia e vem.
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