domingo, 14 de julho de 2013

Ele e os olhos verdes

E mais uma vez ele se viu perdido, olhando pro nada com aquela imagem na sua mente, aqueles olhos verdes estavam a guia-lo no escuro, apareceram tão de repente. Foi de um jeito que ele nunca poderia esperar. Durante muito tempo colocou-se a assistir a menina dos olhos verdes na esperança que ela um dia o olhasse de volta também, durante muito tempo foi um entusiasta do ato dela, muitas vezes se fazendo de plateia de homem só e mesmo assim, ele se mantinha distante.
Cercava-se de motivos para não se aproximar enquanto na verdade só tinha motivos para chegar mais perto, apesar de tudo ele ainda torcia para aqueles olhos verdes o encararem de volta um dia, passou muita coisa, mudanças ocorreram e um dia ele decidiu parar de só torcer para ser visto, saiu dos fundos e foi até aqueles olhos verdes, ainda distantes, porém agora tão próximos.
Então pronto, era como gasolina e fogo, a menina dos olhos verdes era de fato real, mas, de certa fora era como se fosse ele outra vez, estranho, tanta coisa igual e tanto tempo entre as primeiras palavras e todas as outras de agora. Agora que cada encontro parece um desencontro, uma brincadeira maldosa do universo que ama testar a tudo e a todos.
De repente aqueles olhos e tudo mais tem uma voz e tanto faz se é fina ou grossa a tua voz, menina dos olhos verdes, o que importa mesmo é pensar de quem ela sai. E se dos encontros vem desencontros que dos desencontros venham encontros que esses olhos verdes mostrem para ele muito mais.

Prisão não terá mais, ele a puxou pela mão, vai te mostrar que existe muito, muito mais, espera fazer esses olhos brilharem, esse sorriso se abrir, vem com todas as tuas explicações que ele fica besta e se põe a ouvir, como quem ouve uma sinfonia natural. Apropria-se da boa vontade dele que só tem vontade de te ver bem, ele já estendeu a mão, agora fecha estes olhos verdes, confia e vem.

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