Me perder no emaranhado perigoso dos seus cachos cor de quase fogo é uma vontade diária, reprimida, solitária, quase que uma tortura. Não é como se eu desejasse que isso acabasse, estranhamente eu gosto, estranhamente me sinto bem em fingir minha felicidade tirada do bolso todos os dias.
Eu estou cansado... Todos os dias, estou cansado, vejo força somente em você quando chego em casa, procurar idealizar os movimentos perfeitos do seu corpo na esperança de aperfeiçoar toda essa minha imperfeição.
Sim, eu sei que sou o que você nem pensa em deixar se afogar, você insiste em querer saber nadar no meu mar mesmo com as ondas sendo dez vezes maiores do que você, por que menina? Por que?
Nesses longos cabelos quase pretos, quase claros, quase lisos, quase cacheados, eu quero te puxar pra cima, te deixar maior, me tornar melhor. Mais fora da realidade do que já vivo todos os dias, para não te desejar, você sabe que eu não faço esforço pra mudar, mas também não faço força pra sair, não de você, me pergunto todo dia se é esse meu jeito que te afasta ou é só todo o resto de mim mesmo?
Essa pele morena, quente, dotada do dom de me hipnotizar, tenho sensações que nunca experimentei só te olhar, é como se fosse uma espécie de droga muito pesada, quero sentir isso todos os dias, meu corpo pede, não é a minha cabeça, coração nem pensar, é o meu corpo mesmo que pede você.
Vocês que são uma e você uma que é tantas, me confundem, me alegra, me perdem, me vence, me convence. Uma vontade de mãe, uma inocência de virgem, uma loucura correta e coerente de quem sabe o que não faz comigo, de quem me tem como um amigo, de quem me faz de abrigo.
Sou como ponte, fui feito para a passagem, nunca para a permanência, mas assim como as pontes, ironicamente, quando todos passam eu fico lá, estático, parado, com a chuva a me molhar, com a luz a reluzir, assim como ponte, eu espero quem vai ser que vai me dar movimento e me implodir.
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