Já mergulhado no vício de amar, ele se achava só mais um na multidão, era difícil pensar em como parar, na verdade seu grande defeito era achar que tinha o controle de todas as situações em que se metia e não perceber que na verdade era controlado por todas elas. Era estranho, complicado pensar em como não ser só mais um em meio a todos, nunca iria pensar na capacidade de ser dono de si, mas um dia ele pensou.
Parou de ficar a mercê do seu próprio mundo fechado, abriu-se para o mundo "Real" Era bom fazer parte daquele mundo, tomar um choque por dia, entender que as vezes é só mais um. Mas ele ainda tinha aquele maldito vício e no mundo real era tudo tão pior, tão mais forte, mais cruel, mais brutal.
Depois de milhões de mágoas, ele se viu magoando, duro, frio, tratando um dia de cada vez, vivendo pra dentro, mostrando o que queria pra fora. O "Mundo real" o moldou, o tornou mais um produto, agora ele fazia parte do grande exército igual, agia igual, pensava igual, amava igual.
O vício passou, ele já nem lembra o que é ter seu interior sentimental em estado de loucura, depois de tanto lutar para se livrar do vício de amar a cada dia ele só conseguia querer o seu velho vício de volta. A nova lição que ele precisava aprender é que quando você aprende a não querer mais uma coisa como essa você não consegue desejar de novo.
Viveu até o ultimo dia da sua vida lembrando que cada dia que seu vício lhe fazia mal, era melhor do que toda essa frieza que te faz bem.
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