Ainda me lembro quando ela desceu as escadas com aquele vestidinho preto, numa sexta feira, naquele calor desgraçado, a cerveja parecia fazer um milagre no meu corpo, ficou tão pouco, deu nem deu tempo de conversar... A timidez concentrada de uma pisciana cheia de ideias, cheia de coisas pra falar.
Tudo preso num silêncio eloquente, tímido, outros dias se seguindo, atrás do casarão, um, dois, três, muitos beijos... Uma parada, outras pessoas, outras vontades. O punho cerrado no espelho de Vênus desenhado no ombro direito, deixavam algumas coisa bem claras, não vá de vez, também não tenha medo, ela é doce, ela é mulher, ela é ela.
Aquele silêncio eloquente falava tantas coisas no olhar, os ramos de flores que subiam da sua perna davam a impressão que ela fazia nascer vida por onde passava, traz em si uma vontade de ouvir, mesmo quando ela não quer falar, eu no meu jeito falastrão de quem se acha, conseguia manter conversas com ela, admirada ela foi tentando me sacar e perdeu o medo de falar.
Hoje é uma troca de lindeza, de ideias, de conselhos até, cheia de si mesmo, precisa compartilhar tanto, tanta personalidade contida, como se fosse uma panela de pressão, tem um beijo bom, um abraço gostoso, uma pele gostosa de tocar e uma mente admirável, o jeito meigo de falar dá vontade de encostar o ouvido, é alguém que não se deve deixar passar, que você acolhe, que você planta e colhe.
"É sério que escrevi isso?"
Nenhum comentário:
Postar um comentário