Os espinhos fazem parte de todas as flores e completam sua beleza (pra quem?)
estão presos, colados, agarrados a sua essência que aproxima pela exuberância de suas cores fazendo qualquer distraído se furar,
ao tirar os espinhos de uma flor, flor ela ainda continua a ser?
Você imagina um tigre sem as suas listras?
Imagina um tigre se desfazendo daquilo que o torna tigre em si?
Gosto de estar em meio aos rejeitados (sou um deles)
gosto da madrugada
gosto quando passa da meia noite.
Fico detestável quando chega as seis da manhã
apesar de achar o sol nascendo uma das cenas mais lindas,
é só pra isso que as seis da manhã servem.
Mas também gosto da calmaria que antecede tudo
gosto de ter onde me deitar,
onde olhar núcleos que fervem como sóis queimando dentro da iris cercada pelo rosto enfeitado pelo sorriso espontâneo de quem acabou de dar e receber amor...
Negar a todas essas coisas seria como se um tigre negasse as suas listras
e reduzir tudo isso a simples loucura de uma mente quase incompreendida
seria como reduzir toda a beleza das flores a um mero truque para fazer com que se cortem,
como se as próprias flores não sentissem também o gosto do sangue daqueles que distraídos se cortam
ou como se o tigre não se orgulhasse de tudo que o torna ele.
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