Todas as paredes transparentes deste lugar... deve ter o que, um ano? Por aí. As pessoas chegam perto, olham, comentam, algumas admiram, colocam a mão pra eu retribuir o gesto e eu retribuo. Mas elas vão embora, sempre vão... e eu volto pra dentro, eu nunca sair de de dentro na verdade, essa maldita caixa de vidro, maldito vidro blindado.
Ninguém entra, ninguém sai, mas as paredes transparentes dão a sensação de que as pessoas podem entrar ou de que eu posso sair. Maldita caixa de vidro, queria poder te quebrar, te estraçalhar em mil pedaços, sair correndo... encostando de verdade nas mãos que eu só "toquei" pelo vidro da caixa... maldita caixa de vidro, com toda sua transparência mentirosa.
Bendita caixa de vidro que me protege dos males que eu vejo daqui de dentro atingindo as pessoas lá de fora... tantas lágrimas... como deve ser lá fora? A água já está no pescoço, será que eu vou me afogar? Será que as pessoas que amam me assistir, enquanto é bom para elas, vão ser as mesmas que vão me salvar ou vão apenas lamentar no meu velório?
A água está no pescoço e eu ainda não sair da caixa de vidro.
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